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quinta-feira, 26 de julho de 2007

Bom dia


Parece que, lentamente, iremos conseguir os nossos objectivos...
Mais uma vez expresso o agradecimento à API!!!

É bom ver que vocês ainda me visitam!
:)
Respondendo à Inês e relembrando o que tenho andado a fazer...
Fiz vários exames e análises (rotinas, imunidades, cariótipos, etc) e, como já disse no post anterior, os resultados foram satisfatórios.
Em relação ao nódulo da tiróide, as últimas análises revelaram hipertiroidismo ligeiro pelo que voltei a aumentar a dose de medicação que faço diariamente. Ainda não fiz novo controlo.
A histeroscopia recomendada pelo prof. Mário Sousa, fui fazer ao Dr. Cristiano Oliveira, mas o médico não conseguiu realizar o exame porque o meu útero estava muito rígido. Segundo o médico, esta rigidez deve-se às duas cirurgias anteriores que eu fiz e ao facto de ter endometriose. Optou por fazer histerossonografia (ecografia com contraste) que revelou cavidade uterina normal e disse-me que se o prof. Mário quisesse mesmo histeroscopia, teria que ser feita com anestesia geral.
Após falar com o prof., este ficou satisfeito com o resultado e disse que não seria necessário fazer a histeroscopia.

Todos estes exames fazem parte do nosso plano B, esperamos que não seja necessário.
Vamos repetir ttt (fiv ou icsi dependendo no nº de ovócitos) nos HUC em Outubro. - Plano A
Se correr mal, já temos o estudo feito, iremos ter com o prof. Mário de Sousa e, provavelmente, iremos para o prof. Alberto Barros. - Plano B

É bom termos planos... Pelo menos sabemos aquilo por que esperamos, tornando a espera menos desesperante.

Beijinho

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Prolapso legal: o aborto e a procriação medicamente assistida

E porque continuo revoltada:
"Para um número considerável de portugueses, o debate sobre o aborto representou um exercício de cidadania especialmente sensível e complexo. Os cerca de 20% de cidadãos com problemas de fertilidade acompanharam a discussão que antecedeu a realização do referendo frequentemente divididos entre a angústia de uma pergunta inoportuna e a vontade de tomar posição.

Independentemente das opiniões de cada um sobre o aborto, foi manifesto o desconforto e o dramatismo com que esta comunidade se aproximou (ou não) das mesas de voto no último dia 11 de Fevereiro. A crer pelos resultados, boa parte recusou o mundo a preto e branco dos que apenas perscrutaram no país amigos ou inimigos da vida, acabando por distinguir o que de facto estava em causa. Mas algo de tremendamente perturbador vem sucedendo nesta fase do pós-referendo e respectivo corrupio legislativo.

Há duas décadas que se aguarda por uma lei que efectivamente regule a procriação medicamente assistida (PMA) em Portugal. Esta lei foi publicada em Diário da República, no último dia 26 Julho de 2006, e deveria ser regulamentada no prazo máximo de 180 dias, entretanto vencidos. A demora na regulamentação da Lei não é algo que possa ser acometido apenas ao silêncio informe da «nação das secretarias» de que falava Garrett. Pelo meio estão centenas de milhares de pessoas em sofrimento, na sua grande maioria, traídas por uma falência orgânica em crescimento exponencial no mundo moderno. Estudos mostram inclusive que os níveis de ansiedade causados pela infertilidade são comparáveis aos malefícios provocados por um cancro ou por problemas cardíacos.

O atraso na regulamentação do acesso, do financiamento e das práticas de PMA torna o Estado co-responsável por um verdadeiro desastre social e humano, apenas ofuscado pela reserva que carateriza matéria tão pessoal e íntima como esta. Entre o trauma físico e psicológico, as deslocações obrigatórias ao estrangeiro, a dimimuição da natalidade, o acesso condicionado ao sistema público de saúde ou a sua proibição a maiores de 38 anos, anda toda uma outra nação a desesperar pela regulamentação da Lei da PMA. Ainda há alguns meses foi bloqueada a criação de um banco público de gâmetas no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, com o argumento de que a lei não estava regulamentada. Ora, após o referendo, tivemos entretanto conhecimento de que o mesmo Estado se apressa para antecipar tacitamente a aplicação da Lei sobre a interrupção voluntária da gravidez (IVG), antes de esta estar sequer redigida!

Qual o motivo para este tão surpreendente, tão injusto e tão grotesco prolapso legal? Será hoje a maternidade (e a paternidade) uma agenda estruturalmente conservadora, a ponto de confundir o discernimento da mesma esquerda liberal que em nome da vida e da liberdade lutou igualmente pela lei da PMA e por esta lei da IVG? Não deveriam matérias relacionadas com a vida e a liberdade ter, pelo menos, igual prioridade?"

Fernando Oliveira (Membro da Direcção da Associação Portuguesa de Infertilidade)

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Dois Pesos, Duas Medidas?

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Independentemente da opinião que expressei pelo meu voto no passado dia 11 de Fevereiro, aqui fica a uma transcrição de um texto que está no site da API, o qual assino por baixo!

"Assistimos com expectativa ao debate e à realização do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez. Como oportunamente defendemos no âmbito da procriação medicamente assistida (PMA), congratulamo-nos sempre que o Estado concede a cada cidadão espaço e condições necessárias para a concretização efectiva das opções de vida de cada um.

Foi portanto com igual expectativa e ansiedade que há cerca de meio ano, no dia 11 de Julho de 2006, assistimos à publicação em Diário da República da nova Lei sobre a PMA, prometendo um fim para quase duas décadas sem regulamentação eficaz das práticas da PMA em Portugal.

Cumpridos, no último dia 26 de Janeiro, os 180 dias previstos para a sua regulamentação, é com perplexidade crescente que constatamos não se perspectivar sequer um prazo concreto para a conclusão do processo legal ou para o tipo de soluções a adoptar no que diz respeito ao acesso, à creditação e ao financiamento da PMA.
Os cerca de 20% de portugueses em idade reprodutiva que se debatem com problemas de fertilidade continuam com as mesmas perspectivas restritivas de há duas décadas: com acesso limitado e economicamente discriminatório às diversas técnicas, sem banco público de gâmetas e ainda obrigados a resolver no estrangeiro boa parte dos problemas que a Lei tarda a eliminar.

Há neste mesmo instante milhares de portugueses a quem continua a ser negado o direito à saúde reprodutiva. Custa-nos por isso admitir que uma Lei tão necessária e urgente possa permanecer como letra morta no Diário da República, por mais um dia que seja.

Não compreendemos como pode o mesmo Estado, por um lado, bloquear a criação de um banco público de gâmetas com o argumento de que a Lei da PMA não estava ainda regulamentada e, por outro lado, antecipar tacitamente a aplicação de leis que não estão sequer redigidas. Entendemos que em matérias relacionadas com a vida e a liberdade todas as leis são, pelo menos, igualmente prioritárias."
Associação Portuguesa de Infertilidade

Bom Fim de Semana